A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmaram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não prestou depoimento nem entregou documentos às autoridades com o conteúdo divulgado em uma reportagem da revista Veja sobre um suposto financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorreu na sexta-feira (9).
A reportagem atribuiu a Vorcaro um áudio em que ele teria afirmado que financiou o documentário dirigido por Oliver Stone e que o dinheiro teria sido repassado “por fora”. A publicação também mencionou cerca de R$ 30 milhões em espécie e pagamentos ao Instituto Lula. PF e PGR, porém, disseram que não houve o depoimento ou a entrega de documentos descritos pela revista. A PF informou ainda que recebeu uma notícia-crime relacionada à publicação e encaminhou o caso para análise técnica.
Após a divulgação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o relato confirmaria suas declarações sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também acusou Lula de ter recebido propina. A acusação sobre o documentário de Lula não foi comprovada pelas informações analisadas pelo UOL: mensagens extraídas do celular de Vorcaro não mencionam pagamento ou patrocínio ao filme.
A PGR informou que as tratativas de colaboração premiada de Vorcaro foram conduzidas por advogados e que ele não prestou depoimento oral. As propostas apresentadas pela defesa não foram aceitas. O advogado que atualmente representa o ex-banqueiro disse ao UOL que desconhecia o áudio e o documento mencionados na reportagem. Lula e os produtores do documentário também negaram recebimento de recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas a eles.
O caso ocorre em meio à discussão sobre o financiamento de Dark Horse. Reportagens citam mensagens e transferências relacionadas ao projeto, que também é alvo de apuração. Flávio afirmou que buscou patrocínio privado para o filme e que não houve contrapartida ligada ao seu mandato.
Até o momento, as notas da PF e da PGR contestam a existência do depoimento e dos documentos descritos pela Veja. Elas não confirmam o conteúdo do áudio atribuído a Vorcaro.
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